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Há pessoas que passam pela vida. E há aquelas que deixam melodia. Em Três Pontas, falar de Francisco de Paula, o Chico Canela, é falar de alguém conhecido, querido e respeitado. Daqueles nomes que atravessam gerações com a simplicidade de quem nunca precisou “aparecer” para ser grande.
Chico era músico, compositor e poeta, como ele mesmo se descrevia. E, para além dos palcos e das canções, era também um homem presente na vida cotidiana da cidade, daqueles que deixam marca nas conversas, nos encontros e nas memórias afetivas que ficam.
As raízes mais profundas de Chico Canela sempre estiveram na música.
Suas influências, desenham bem o universo que ele carregava: Milton Nascimento e o Clube da Esquina, mas também Beatles, Led Zeppelin, Edu Lobo e Tom Jobim. Referências diferentes entre si, mas que em Chico se encontravam na mesma essência: a busca por melodia com sentimento e letra com alma.
Nos anos 70 e 80, suas canções participaram de diversos festivais da canção, período em que os festivais eram vitrine e também escola, lugar onde compositores eram testados no olhar do público, no palco e no coração.
Dos festivais à avenida: os enredos da Estudantes do Samba
E Chico não era música só no formato “canção”. Ele também compôs para a cultura popular que Três Pontas conhece bem: o Carnaval. Chico Canela foi compositor de enredos de escola de samba, com participação na história da Estudantes do Samba.
É aquele tipo de contribuição que muita gente só entende com o tempo: porque samba-enredo não é só festa. É narrativa, é identidade, é comunidade contando sua própria história em voz alta.
Chico participou de festivais de música por toda região em sua juventude e teve músicas gravadas por outros artistas, com destaque para Marcello Dinis e Cida Nascimento.
E, recentemente, viveu um momento especial na própria trajetória: a parceria com Marcello Dinis em “Esperanto Banto”, gravada no CD de mesmo nome do artista, com a participação especial de Milton Nascimento. Um encontro que carrega peso simbólico e emoção para qualquer compositor mineiro.
As homenagens que atravessaram Três Pontas
A notícia da partida de Chico Canela mobilizou a cidade. E as homenagens não ficaram só aqui. Milton Nascimento publicou uma mensagem de despedida, manifestando sentimentos à família e citando Chico como uma das inspirações da música “Veveco, Panelas e Canelas”, além de lembrar a amizade entre eles.
Também houve homenagem do músico Fredera (perfil @frederaoficial), que escreveu sobre a perda, falou do carinho por Chico e lembrou um registro afetivo de trajetória, dizendo que tocaram juntos em 1989, em uma música que ele menciona na publicação.
E é aí que a gente entende a dimensão do Chico: não é só o quanto ele compôs, é o quanto ele foi parte de uma rede de afetos, sons e histórias que conectam Três Pontas a tantos outros lugares.
Pai, avô e presença real
Chico era casado, pai de dois filhos e avô. Uma vida inteira construída no cotidiano, sem personagem.
E nas redes, era alguém ativo, especialmente no Facebook, com opiniões, reflexões e participação. Um jeito direto, humano, de estar no mundo e acompanhar o tempo.
O que fica quando o som baixa
Todo mundo parte um dia, isso é da vida.
O que não é comum é deixar um rastro tão claro. E Chico Canela deixou.
Três Pontas perde um nome querido.
Mas a música e a memória cultural de Três Pontas seguem carregando algo forte dele: a lembrança de quem ouviu, a história de quem tocou junto, nos festivais, na avenida, nas parcerias e na saudade que agora ocupa seu espaço natural.
Em Três Pontas, ninguém vai embora de verdade. Fica na música. Fica na história. Fica na gente.
Com este texto, o Canal UltraNativo abraça toda a família, os amigos e todos que caminharam ao lado de Chico Canela, reverenciando sua trajetória.






