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No som da viola caipira, ainda menino, Danilo Santos já ensaiava o que viria a ser sua vida inteira. Aos nove anos, acompanhando o bisavô nas manifestações da Folia de Reis, ele descobriu que a música não seria apenas um talento, mas um destino. Hoje, depois de anos de estrada, palcos lotados e amadurecimento artístico, o músico trespontano vive um momento de transição. Um tempo de conexão profunda com a cultura popular e, ao mesmo tempo, de preparação para um voo solo.
O Canal Ultranativo conversou com Danilo Santos sobre essa nova fase, que passa pelo Carnaval ao lado da Batucada Tambanauê e desemboca em um projeto autoral que promete levar ainda mais longe o nome de Três Pontas.
Da Folia de Reis aos palcos profissionais
A relação de Danilo com a música nasce no chão da tradição. Foi na Folia de Reis, tocando viola ao lado do bisavô, que ele criou consciência do caminho que queria seguir. Com o tempo, outros estilos foram se somando à bagagem, ampliando a forma de enxergar a música como linguagem e diálogo.
Em 2015, veio o início da estrada profissional com a Banda Exta’Z. Um período intenso, que marcou não apenas sua carreira, mas sua formação humana. “Foi ali que entendi a música como ofício, compromisso e responsabilidade”, relembra. A rotina da estrada ensinou sobre disciplina, respeito ao palco, convivência e entrega, mesmo nos dias em que a inspiração não bate à porta.
A batucada como reencontro com a essência
A conexão com a Batucada Tambanauê não é recente, mas ganhou força agora, em um momento decisivo da trajetória do artista. O convite para seguir com o grupo até o fim do Carnaval veio de Helbert Gama e Gabriel de Brito (Bibi), fundadores do projeto, e encontrou Danilo mais consciente de sua musicalidade e aberto a novas formas de expressão.
O que o conecta à batucada é mais do que ritmo. É ancestralidade. É coletividade. “A Tambanauê não é só som, é história e identidade popular”, define. Para ele, estar nesse ambiente é se reconectar com uma raiz profunda da música brasileira, aquela que nasce do corpo, da rua e da comunidade.
Musicalmente, a experiência chega como um encontro preciso. A vivência com a percussão amplia a consciência rítmica e dialoga com uma fase mais madura, em que menos excesso e mais intenção passam a guiar suas escolhas artísticas.
Representar Três Pontas é responsabilidade e pertencimento
Levar o nome de Três Pontas para fora sempre foi algo presente na trajetória de Danilo. Agora, ao integrar um movimento que carrega a identidade da cidade por onde passa, esse sentimento se intensifica. “É devolver à cidade um pouco do que ela me formou”, afirma.
Crescer em um lugar onde a música é identidade deixa marcas profundas. A referência de nomes como Milton Nascimento cria inspiração, mas também responsabilidade. Três Pontas, para Danilo, é mais que cenário. É matéria-prima.
Um novo ciclo: a carreira solo
Após o Carnaval de 2026, começa oficialmente um novo capítulo. A carreira solo vinha sendo amadurecida há cerca de um ano, até se transformar em decisão consciente em 2025. Mais do que ruptura, é continuidade em outra forma. Um caminho de escuta interna, liberdade criativa e aprofundamento artístico.
Nos palcos, o público ainda reconhecerá a entrega e a presença de sempre, mas com nova roupagem e identidade musical. Paralelamente, o foco se volta também para os festivais pelo Brasil, com canções autorais que exploram o regional, a viola e o interior. O sonho é fortalecer o nome na cena, buscar reconhecimento e ampliar a relevância da música trespontana pelo país.
Já há material em fase de lançamento e uma nova canção sendo gravada, pensada especialmente para circular nos festivais. Um período de construção intensa, criatividade aflorada e muitos caminhos se abrindo.
Olhar para frente sem apagar o que ficou
Para quem acompanhou outras fases, Danilo deixa uma mensagem clara: nada se perde. Tudo se soma. “Essa nova etapa nasce do amadurecimento”, diz. Um convite para caminhar junto em uma versão mais autoral, consciente e verdadeira.
Quando projeta o futuro, ele evita pressa. Prefere estar inteiro no presente, construir com humildade, paciência e honestidade musical. E, acima de tudo, manter vivo aquilo que o trouxe até aqui: o amor pela arte, a sede de criação e o brilho nos olhos de quem ainda acredita no poder transformador da música.










