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Com letra autobiográfica, paisagem trespontana e fé no centro, o rapper lança música e clipe O Vaso Quebrado que emociona e transforma dor em esperança
“Tem gente que nasce vaso de honra. Eu fui vaso quebrado. Mas Deus me refez.” É com essa convicção que Igor Henrique Vicente Goulart, conhecido artisticamente como Diguinho Du Rap, lança sua mais recente música — e talvez a mais profunda —: O Vaso Quebrado. Em forma de oração, rap e confissão, o artista trespontano transforma feridas antigas em versos de redenção. O Canal UltraNativo conversou com ele para entender o que há por trás dessa obra que toca pela verdade.
“O vaso nas mãos do oleiro”
A inspiração da música veio de um lugar familiar a Diguinho: o banco da igreja. “A ideia nasceu através de uma pregação. A palavra pregada falou forte comigo e resolvi escrever a música baseada na minha história”, conta. A referência direta está em Jeremias 18:1-6, trecho bíblico que compara o ser humano a um vaso de barro nas mãos do oleiro — metáfora de Deus. Se quebrado, só o oleiro pode moldá-lo de novo.
Foi exatamente isso que aconteceu com ele. “Essa canção fala de um tempo em que me perdi no mundo dos vícios e da depressão. Quero alcançar quem vive hoje o que eu vivi. Mostrar que há saída.”
Do sofrimento à melodia
A composição de O Vaso Quebrado foi feita em 2024, mas apenas em 2025 ele conseguiu tirar o projeto do papel. A produção ficou por conta de Jonathan Gleyser, do Gorilla Lab Studios, que abraçou a música com arranjos de violão, piano e emoção à flor da pele.
A voz doce e potente da cantora Aline Lauriano — já parceira de Diguinho no single A Oração — completa a força espiritual da canção. “A Aline tem um canto que toca a alma. Quando ouvi ela cantar na igreja, pensei na hora em convidá-la. Ela é essencial nesse projeto.”
O clipe, por sua vez, foi gravado em um lugar repleto de significado: o Cruzeiro, em Três Pontas. “Era onde eu usava drogas, chorava sozinho, e também onde cresci. Hoje volto ali para mostrar que é possível vencer.”
Quando a mãe chora de orgulho
A resposta do público tem sido comovente. Amigos, jovens, fiéis e até desconhecidos escreveram dizendo que a música os tocou profundamente — alguns, motivados a se reaproximar de Deus. Mas nenhuma reação foi tão marcante quanto a de sua mãe: “Ela me mandou mensagem dizendo que chorou muito. Mas agora foi de alegria. Porque quem um dia fez ela chorar de tristeza, hoje faz chorar de orgulho.”
Diguinho começou a ouvir rap ainda jovem, em meio a uma vida marcada por dificuldades. Mas foi o rap gospel que o salvou. “Ouvi letras que falavam exatamente da minha dor. Vi que era possível mudar.”
Suas influências vêm de nomes como Thiagão, Ao Cubo e Expressão Ativa. Na fé, ele se inspira nos ensinamentos da Igreja Universal — “uma escola que me ensinou tudo sobre a Palavra”.
Com dois singles já lançados (A Oração e O Vaso Quebrado), ele planeja mais quatro músicas para breve. Todas carregam a mesma missão: “Meu sonho é poder salvar almas com a música. Viver disso e ajudar outras pessoas. Dar uma vida melhor para minha família e mostrar que é possível.”
Um rap com identidade trespontana
Três Pontas aparece não só no cenário do clipe de O Vaso Quebrado. Aparece no sotaque, na vivência e na alma do artista. “É meu lar. E se um dia Milton Nascimento levou nosso nome ao mundo, eu quero também fazer isso — com o rap, com fé e com verdade.”
Hoje, “o vaso quebrado” se transformou em vaso de honra. E, ao olhar para trás, Diguinho deixa um recado ao jovem que um dia se afundou: “Não perca mais tempo. Se lança nas mãos do Oleiro. Ele pode te restaurar.”





