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O mês de setembro trouxe novos sinais de desaceleração no mercado de trabalho em Três Pontas. Segundo dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o município registrou 734 admissões e 835 desligamentos, resultando em um saldo negativo de 101 vagas formais e um estoque de 15.860 trabalhadores com carteira assinada.
O resultado segue o movimento de retração observado em boa parte do Sul de Minas, que, de acordo com levantamento da EPTV e do g1, fechou 380 postos de trabalho no mês — o terceiro saldo negativo consecutivo da região. Ainda assim, o acumulado do ano permanece positivo, com mais de 21 mil novas vagas abertas entre janeiro e setembro nas 162 cidades sul-mineiras.
Setor agropecuário lidera as perdas em Três Pontas
Entre os grandes grupamentos econômicos apontados no Caged, o setor que mais contribuiu para a queda do emprego formal no município foi a agropecuária, com 70 admissões e 233 desligamentos, gerando um saldo negativo de 163 postos. O desempenho reflete o término de safras e contratos temporários, movimento sazonal comum neste período, mas que, em 2025, veio acompanhado por um ritmo mais lento de novas contratações.
Em contrapartida, os serviços e a indústria registraram saldos positivos, com 41 e 19 novas vagas, respectivamente. O comércio teve leve avanço de 9 empregos, enquanto a construção civil recuou 7 postos.
No total, o saldo de Três Pontas em setembro foi de -0,63%, em linha com a média regional e dentro do padrão de desaceleração que vem sendo observado desde julho.

Jovens até 24 anos puxam contratações, mas perdas crescem entre adultos
Os dados do Caged por faixa etária mostram que o único crescimento expressivo ocorreu entre adolescentes e jovens de até 24 anos, com destaque para o grupo de até 17 anos (+38 vagas) e de 18 a 24 anos (+14) — reflexo de contratações de aprendizes e trabalhadores em início de carreira.
Já entre os adultos de 30 a 59 anos, as perdas foram significativas: -44 vagas na faixa de 40 a 49 anos e -47 entre 50 e 64 anos, indicando um desaquecimento entre trabalhadores mais experientes e possivelmente mais caros para as empresas.
O saldo negativo em setembro afetou mais os homens (-71) do que as mulheres (-30). Entre os níveis de instrução, o maior fechamento de vagas ocorreu entre pessoas com ensino fundamental incompleto (-71), seguido por ensino fundamental completo (-28).
O único grupo com saldo positivo foi o de trabalhadores com ensino médio completo (+15), o que reforça a tendência nacional de valorização da qualificação técnica e da formação média como porta de entrada para o emprego formal.
Tendência regional e nacional de desaceleração
A retração observada em Três Pontas acompanha o cenário do Sul de Minas e também o comportamento nacional. Segundo a Agência Brasil, o país criou 213 mil empregos com carteira assinada em setembro, número acima de agosto (147 mil), mas 15,6% menor do que o mesmo mês de 2024.
Economistas ouvidos pela imprensa nacional apontam uma “desaceleração gradual e suave” do mercado de trabalho brasileiro, provocada pelos juros altos e pela acomodação da atividade econômica. Apesar disso, ainda segundo o Caged, o país mantém um saldo acumulado de 1,7 milhão de vagas abertas em 2025, o que demonstra resiliência mesmo em meio a um crescimento mais moderado.
No Sudeste, foram 80,6 mil novas vagas — o melhor desempenho entre as regiões —, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro. Minas Gerais, entretanto, segue em compasso de ajuste: o estado abriu pouco mais de 10 mil postos no mês, abaixo da média do primeiro semestre.
Em Três Pontas, safra e sazonalidade explicam parte da queda
Em cidades com forte presença agropecuária, como Três Pontas, a variação negativa de setembro no Caged costuma estar associada ao fim dos contratos temporários de colheita e à redução da atividade agrícola após o pico da safra do café.
Além disso, o aquecimento do setor de serviços no primeiro semestre — com aumento de eventos, turismo e contratações temporárias — tende a se estabilizar no segundo semestre, especialmente após o período de férias e festividades locais.
Mesmo com o recuo recente, os setores de serviços e indústria continuam sendo os principais motores de recuperação do emprego formal no município, responsáveis juntos por 60 das 734 contratações de setembro, se observada a tabela do Caged.
O que esperar para o fim do ano
A expectativa para o último trimestre é de estabilidade, com possíveis saldos positivos puxados pelo comércio e serviços devido às contratações de fim de ano. No entanto, economistas reforçam que o ritmo deve permanecer mais lento do que o observado em 2024, refletindo o comportamento nacional de acomodação da economia.
Enquanto o país projeta fechar o ano com uma taxa de desemprego próxima de 6%, Três Pontas segue o desafio de equilibrar seus setores e diversificar sua base produtiva, reduzindo a dependência da sazonalidade agrícola e ampliando oportunidades para jovens e profissionais de diferentes faixas de escolaridade.
Resumo dos dados de setembro em Três Pontas – CAGED 2025
- Admissões: 734
- Desligamentos: 835
- Saldo: -101
- Estoque total: 15.860
- Setor mais afetado: Agropecuária (-163)
- Melhor desempenho: Serviços (+41)
- Saldo anual no Sul de Minas: +21.286 vagas
- Saldo nacional em setembro: +213.002 vagas


