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Em Três Pontas, falar de cooperativismo é falar da própria história de desenvolvimento da cidade. Das lavouras de café que movimentam a economia local, passando pela saúde, educação, até os serviços financeiros que apoiam famílias, empreendedores e produtores rurais, as cooperativas estão presentes no dia a dia dos trespontanos há décadas.
Agora, esse modelo de organização acaba de receber um reconhecimento histórico em nível nacional.
Entrou em vigor nesta semana a Lei nº 15.433/2026, que reconhece oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional brasileira. A nova legislação também determina que o Estado deve garantir, apoiar e estimular a livre atividade das cooperativas, reforçando a importância social, econômica e cultural desse modelo em todo o país.
Além disso, outra mudança importante amplia o acesso das cooperativas a recursos dos fundos de desenvolvimento regional, possibilitando novos investimentos em infraestrutura, agroindústria e projetos capazes de gerar emprego, renda e desenvolvimento.
Uma conquista que dialoga com a realidade de Três Pontas
Para os trespontanos, a nova legislação tem um significado especial.
A cidade abriga cooperativas que fazem parte da construção econômica e social do município, como a Cocatrel, uma das maiores cooperativas agropecuárias do Brasil, e o Sicoob Copersul, que atua no fortalecimento financeiro de milhares de cooperados.
Mais do que movimentar a economia, essas instituições apoiam eventos, projetos sociais, educação, capacitação profissional e iniciativas que impactam diretamente a qualidade de vida da comunidade.

Reconhecimento para uma história construída em conjunto
Para o presidente do Conselho de Administração da Cocatrel, Jacques Fagundes Miari, a nova lei reforça a importância de um modelo que gera desenvolvimento por meio da cooperação.
“Além de reconhecer oficialmente sua relevância cultural e social, a legislação amplia as condições para que as cooperativas continuem contribuindo para o desenvolvimento econômico, a inclusão produtiva e a melhoria da qualidade de vida das comunidades onde atuam”, declarou.
A Cocatrel completa neste ano 65 anos de história. Atualmente, reúne mais de 9.300 cooperados, possui mais de 850 colaboradores e registrou faturamento superior a R$ 3,3 bilhões no último exercício.
Cooperar também é cultura
Para Sara Tavares, presidente do Conselho de Administração do Sicoob Copersul, o reconhecimento vai além dos números e alcança os valores que sustentam o movimento cooperativista.
“A Lei 15.433/2026 reconhece algo que vai muito além do papel econômico das cooperativas. O cooperativismo é, na sua essência, uma expressão cultural, uma forma de as pessoas se organizarem com base na solidariedade, na democracia e no bem coletivo. Esses princípios não são regras escritas num estatuto: eles moldam a maneira como nos relacionamos, como tomamos decisões, como enxergamos o desenvolvimento.
Receber esse reconhecimento em lei é ver o Estado confirmar que esse jeito de fazer juntos, com participação, com responsabilidade mútua, tem um valor cultural para o país. É uma afirmação da identidade cooperativista.
Para nós, do Sicoob Copersul, isso reforça o compromisso de viver esses princípios no dia a dia com as nossas comunidades e com cada cooperado.”

O que muda na prática?
O reconhecimento do cooperativismo como manifestação da cultura nacional fortalece institucionalmente o setor e cria um ambiente mais favorável para o crescimento das cooperativas.
Na prática, especialistas apontam alguns impactos importantes:
• Maior valorização do modelo cooperativista perante a sociedade;
• Fortalecimento de políticas públicas voltadas ao setor;
• Ampliação das possibilidades de acesso a financiamentos regionais;
• Estímulo à criação de novos projetos produtivos;
• Mais investimentos em infraestrutura, agroindústria e inovação;
• Geração de emprego, renda e desenvolvimento local.
Em um país que possui mais de 4.300 cooperativas em atividade, reúne cerca de 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos, a nova legislação reconhece oficialmente algo que milhares de comunidades já vivenciam na prática: cooperar é uma forma de construir oportunidades coletivas.
A cultura de desenvolver cidades
Em Três Pontas, onde o cooperativismo está presente no campo, na saúde, na educação, nos serviços financeiros e outras áreas, a nova lei chega como um reconhecimento a uma história construída por muitas mãos.
Uma história que passa pelo café, pelas famílias produtoras, pelos empreendedores, pelos trabalhadores e por todos aqueles que acreditam que crescer junto é sempre mais forte do que crescer sozinho.
E agora, além de impulsionar a economia, o cooperativismo passa a carregar oficialmente um novo título: parte da cultura brasileira.

