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Em muitas propriedades rurais da região, o dia começa antes do sol nascer. Entre lavouras de café, terreiros e cadernos de anotações da produção, muitas mulheres já estão de pé, cuidando da lavoura, da gestão da propriedade e da família.
Durante muito tempo, esse trabalho essencial ficou quase invisível. Agora, o mundo começa a olhar com mais atenção para ele.
A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, uma iniciativa que busca ampliar o reconhecimento das mulheres que trabalham no campo e estimular políticas públicas, investimento e inovação voltados à igualdade de gênero na agricultura.
E em uma região onde o café é parte da identidade local, esse protagonismo feminino já vem sendo construído há anos.
Em Três Pontas, um movimento que valoriza a mulher do café
Na região cafeeira do Sul de Minas, a Cocatrel vem incentivando a presença feminina no setor por meio do Grupo Cafeína Cocatrel, criado há sete anos.

Hoje, o grupo reúne cerca de mil mulheres cooperadas, entre produtoras experientes e também aquelas que estão dando os primeiros passos na cafeicultura.
Entre elas, há histórias de todas as idades — inclusive uma integrante com 103 anos, mostrando que a conexão entre mulher e café atravessa gerações. O projeto nasceu com um propósito claro: capacitar, conectar e fortalecer o papel da mulher nos negócios do café.
Capacitação, troca de experiências e produção de cafés especiais
Ao longo dos anos, o Grupo Cafeína passou a promover diversas ações voltadas ao desenvolvimento das produtoras.
Entre as atividades estão:
visitas técnicas às propriedades
capacitações em campo
palestras e encontros formativos
assessoria em pós-colheita para produção de cafés especiais
Com esse acompanhamento, muitas produtoras passaram a investir em cafés de maior qualidade e valor agregado.
Hoje, cafés produzidos por integrantes do grupo já são exportados para mais de 25 países, ampliando a visibilidade das propriedades e aumentando o retorno financeiro para as produtoras.
Além disso, parte da produção também é industrializada pela cooperativa, fortalecendo ainda mais a presença dessas mulheres no mercado.
Um espaço também para quem quer começar do zero
O grupo também abriu portas para mulheres que ainda não tinham experiência com a cafeicultura.
Para isso, foi criado o programa “Primeiros Passos”, composto por 12 encontros de formação.
Nos encontros, as participantes aprendem desde gestão da propriedade até técnicas de produção e manejo da lavoura, criando uma base sólida para quem deseja iniciar na atividade.
O crescimento foi tão grande que o projeto, que nasceu em Três Pontas, hoje já conta com cinco núcleos em diferentes regiões de atuação da cooperativa.
Mulheres que ajudam a construir o futuro da cafeicultura
Para Iandra Vilela, especialista em pós-colheita e coordenadora do grupo, o Cafeína vai muito além de um projeto de capacitação.
Segundo ela, trata-se de um movimento que fortalece liderança, autonomia e valorização feminina dentro de toda a cadeia produtiva do café.
“O Grupo Cafeína Cocatrel é mais do que um coletivo: é um movimento que transforma realidades e impulsiona o futuro da cafeicultura, tendo as mulheres como protagonistas dessa evolução”, afirma.
Quando o mundo olha para o campo… e vê as mulheres
Ao declarar 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, a ONU lança um olhar global para uma realidade que, em lugares como Três Pontas e região, já é evidente há muito tempo.
Atrás de muitos dos cafés que chegam às xícaras no Brasil e no mundo, há mãos femininas cultivando, colhendo, administrando e inovando no campo.
E cada vez mais, essas histórias começam a ganhar o reconhecimento que sempre mereceram.



