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Na noite desta segunda-feira, 11 de maio, o plenário da Câmara Municipal de Três Pontas deixou de ser apenas palco de debates e votações. Entre cadeiras ocupadas por mães, flores brancas entregues em silêncio e histórias de vida que atravessam gerações, a sessão ordinária ganhou um significado diferente: o de celebrar mulheres que ajudaram a construir famílias, valores e memórias na cidade.

A homenagem especial ao Dia das Mães reuniu emoção, reconhecimento e histórias marcadas pela simplicidade, pela fé e pelo amor familiar. Mais do que uma cerimônia formal, a noite se transformou em um encontro entre gerações, onde cada relato carregava pedaços da própria história de Três Pontas.
Uma surpresa antes mesmo da sessão começar
Antes da abertura oficial da 64ª Sessão Ordinária, um gesto simbólico emocionou vereadores, familiares e convidados presentes no plenário.
As mães dos parlamentares foram convidadas a se sentarem nas cadeiras ocupadas normalmente pelos filhos vereadores. Já os parlamentares que não possuem mais suas mães vivas receberam flores brancas, em um momento silencioso que simbolizou saudade, respeito e permanência do amor materno mesmo após a despedida.
Logo depois, um vídeo exibido nos televisores do plenário trouxe depoimentos das mães dos vereadores respondendo à pergunta: “O que significa ser mãe?”.
A solenidade contou ainda com a presença do vice-prefeito de Três Pontas, Maycon Douglas Vitor Machado.

Após o Pequeno Expediente e a Ordem do Dia, o presidente da Câmara, Myller Bueno, suprimiu o Grande Expediente e abriu oficialmente a homenagem especial às mães, que teve duração aproximada de 40 minutos.
Mulheres que se tornaram raízes de suas famílias
Três mulheres foram homenageadas como “Mães do Ano” por diferentes instituições da cidade. Histórias distintas, mas unidas por algo em comum: a capacidade de transformar cuidado em legado.
As homenageadas foram:
Ione Araújo Reis Chaves
Maria Thereza Ferreira Abreu
Tereza Pulcheria da Silva Brito

Aos 94 anos, Dona Ione carrega um legado que atravessa gerações
Nascida em 2 de junho de 1932, Ione Araújo Reis Chaves foi homenageada pelo Rotary Club de Três Pontas.
Filha de Oswaldo Campos Reis e Pulcheria Araújo Reis, construiu sua vida baseada em valores como fé, respeito, força e dedicação à família.
Ao lado do esposo Antônio Chaves Barbosa de Figueiredo, viveu 40 anos de união. Dessa história nasceram sete filhos, além de uma família que hoje soma 13 netos e 13 bisnetos.
A homenagem destacou justamente esse papel de “raiz” familiar. Uma mulher cuja presença ultrapassa o tempo e permanece viva nos gestos, ensinamentos e memórias carregadas pelas novas gerações.
Aos 94 anos, Dona Ione foi descrita pela Câmara como símbolo de sabedoria, carinho e força silenciosa.
A casa do número 509 onde sempre há café fresco e pão de queijo
Entre as histórias da noite, uma das que mais emocionou os presentes foi a de Maria Thereza Ferreira Abreu, conhecida carinhosamente como “Vó Thereza”.
Nascida em 10 de maio de 1937, em Três Pontas, filha de Nestor Patrício Ferreira e Maria d’Aparecida Ferreira, ela cresceu aprendendo cedo que a vida exige coragem, trabalho e disposição para aprender.
Com apenas o ensino até a quarta série, transformou a própria experiência em conhecimento. Aprendeu sozinha a costurar, consertar utensílios domésticos e cuidar da casa e da família com criatividade e dedicação.
Viúva do professor Domingos Alexandrino de Abreu, o querido “Seu Dominguinho”, ajudou a construir uma família marcada pela valorização da educação.
Criou cinco filhos, ajudou na criação de nove netos e hoje acompanha também a trajetória de quatro bisnetos.
Católica fervorosa, participou por mais de 30 anos da coordenação da Mãe Rainha, levando oração e conforto espiritual para inúmeras famílias trespontanas.
Mas sua história não é feita apenas de responsabilidades. Dona Thereza também foi descrita como uma mulher alegre, que gosta de pescar, viajar, dançar, conversar e fazer palavras cruzadas.
Desde 2022, frequenta o Clube Conviver e Crescer, onde participa de aulas de dança, ginástica e momentos de convivência ao lado das amigas.
E talvez o trecho mais simbólico da homenagem tenha sido justamente o mais simples.
A Câmara descreveu que, se alguém passar pelo número 509 da Rua Marquês de Abrantes, encontrará uma casa de portas abertas, café fresco, pão de queijo e boa conversa.
Uma imagem que resume muito daquilo que representa a maternidade mineira.
Uma vida construída entre simplicidade, trabalho e amor
Homenageada pelo Centro de Convivência do Idoso Lourenço Siqueira, Tereza Pulcheria da Silva Brito nasceu em 12 de dezembro de 1940, em Três Pontas.
Filha de Rita Avelina de Jesus e Tertuliano Bento da Silva, viveu a infância na Fazenda Santa Maria, cercada pelos valores simples do interior mineiro.

Casada há 66 anos com Alcides Heitor de Brito, construiu uma história baseada no cuidado familiar, no respeito e na dedicação à comunidade.
Mãe de quatro filhos — Chiquinho, José Afonso, Maraisa e Adenisio — viu sua família crescer ao longo das décadas até chegar aos 10 netos, 6 bisnetos e 1 tataraneto.
Ao prestar homenagem à Dona Tereza, a Câmara destacou justamente a representação da mulher mineira que, muitas vezes longe dos holofotes, ajuda silenciosamente a construir famílias inteiras através do afeto, da firmeza e da simplicidade.
Uma noite para lembrar que mães também constroem a história da cidade
Em uma cidade marcada pela memória, pela tradição e pelos vínculos familiares, a homenagem promovida pela Câmara Municipal acabou indo além de uma cerimônia oficial.

A noite desta segunda-feira foi também um retrato de Três Pontas.
Das mães que abriram mão dos próprios sonhos pelos filhos. Das avós que se tornaram porto seguro. Das mulheres que sustentaram famílias inteiras através do trabalho, da fé e do cuidado diário.

Entre discursos, flores e lembranças, o plenário se transformou em um espaço de reconhecimento para histórias que, muitas vezes, acontecem longe dos microfones, mas sustentam silenciosamente a vida da cidade.
E talvez seja justamente isso que torne mães como Dona Ione, Dona Thereza e Dona Tereza tão especiais: elas representam milhares de mulheres comuns que, sem perceber, ajudam a escrever a verdadeira história de Três Pontas.


